segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ele Gostava



Ele gostava.

Ele gostava de batata-frita e de vídeo-game. Ele gostava de amarelo e também de azul.
Mas ele não gostava dele.

Ele gostava de internet e filmes, séries e quadrinhos, futilidades e utilidades, ele realmente gostava das futilidades.

Mas ele não gostava dele.

Ele gostava de tomar café, gostava de dormir, gostava de acordar, gostava de dançar.

Gostava de ouvir música, de cantar junto com a música, se preciso gritar junto com a música.

Mas ele não gostava dele.

Ele passeava por sua cabeça, sem permissão, ao lavar a louça ou a ligar a televisão, ele aparecia. Não se sabe bem ao certo como ele foi parar lá, mas lá estava ele.

Ele era visto em rostos de outras pessoas, seu nome era imaginado o tempo todo no visor do celular, uma tentativa de nostalgia forçada talvez.

Ele era o único que o causava aquele frio na barriga.

Ele estava naquela música que nunca mais pode ser ouvida.

Ele estava sempre passeando por sua cabeça.

Ele estava lá. Ele está lá. Ele nunca saiu de lá.

Mas ele não gosta dele.

Isso não se chamar gostar.

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