terça-feira, 5 de abril de 2011

Geladeira



Eu abro a geladeira pra pensar, mas nada me vêm à cabeça. Eu começo então a pensar no que eu poderia pensar ou no que eu deveria estar pensando, já que não abri a geladeira a toa. De repente milhões de coisas passam pela cabeça, e eu não consigo entender nenhuma, pegar nenhuma, examinar nenhuma.

Fecho a geladeira, acabo fazendo um lanche com restos de ingredientes e aí sim consigo pensar em algo. Penso em oportunidades. Em todas que perdi. Penso em como tenho medo, penso no tanto que não me conheço, penso no tempo que meu aquário está vazio, penso no cachorro abandonado.

Enquanto isso eu sinto a brisa, uma leve brisa.

Brisa, por não bagunçar tudo, não desarrumar meus livros, não fazer bagunça em minha casa. Brisa porque não é concreta. Mas aos poucos, faz coisas que você não percebe, move coisas, faz folhas voarem, apenas detalhes, nada de importante. Na hora. Com o tempo a bagunça imperceptível vai acumulando e quando você dá por si, já não encontra mais nada. Já não se encontra em mais nada.

Talvez seja preciso mergulhar fundo no aquário vazio, talvez seja mais fácil pegar a chave, abrir a porta e ir embora, talvez. Talvez um milhão de anos pensando ou um milhão de psicólogos ajudando resolva. Talvez abrir a geladeira mais uma vez seja o bastante.

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